domingo, 28 de maio de 2017

Garage Fuzz - Turn the page... the season is changing

Após o ótimo show no sábado, no domingo fui na casa da minha irmã para aquela visita e colocar o papo em dia. Papo vai, papo vem e meu cunhado perguntou como foi o show do Garage. Citada minha consideração, eis que meu cunhado me presenteia com este disco e não foi pouca a minha felicidade ao ter esta obra em casa e já estou na segunda audição do disco. Gravado em 97, Turn the page... é um item obrigatório não só para quem curte somente hardcore. É sim, um daqueles discos para quem aprecia música feita com paixão e para quem não precisa de rótulos. Porque rotular somente como hardcore acaba sendo um resumo meio covarde acerca do que se tem aqui. Os caras mesclam som alternativo e muita melodia nas guitarras além dum vocal certeiro e uma cozinha eficiente. Da formação atual, somente Nando não está presente e mesmo assim o guitarrista na época, Fernando Zambeli, fez um belíssimo trabalho ao lado de Wagner Reis e arrisco a dizer que se trata duma ótima aula de guitarra a qualquer iniciante pois no estilo do Garage, saber tocar não é um luxo e sim uma regra calando a boca de quem acha rock tudo "igual". E aquela lembrança em frente ao Marquês de São Vicente no final de tarde sentados na beira do canal antes de ir para aula retorna em minha mente ao som de Replace, After the rain, Shore of hope, Variations ( ontem um cara ficou gritando para tocarem esta música e que som!!!!), A bitter taste entre outras.
Ouvir Garage Fuzz não é só ouvir um disco. Significa mais do que isso. Significa retornar a uma época em que a vida era mais legal sem celular na cara e mais convivência face a face. Era a época em que tínhamos acesso a rock de forma mais fácil, ao contrário do que se vê hoje aonde a molacada vai para sonoridades erradas e que só levam ao caminho sem volta. Sou e sempre serei grato por ter crescido nos anos 90 já que a riqueza que me foi exposta garantiu minha cultura e me tornou uma pessoa melhor e diferenciada desta cultura de massa enlameada por músicas sazonais e sem conteúdo. E o Garage Fuzz foi um dos responsáveis por isso. Discaço do começo ao fim!!!!!!

James Booker - The Blues Collection

Antes de ir me deitar após um ótimo domingo e ao som de Garage Fuzz, nada mais prazeroso do que digitar algumas acerca do Rei de New Orleans no piano. De acordo com sua biografia, James foi um renomado pianista nascido na citada cidade no dia 17 de dezembro de 1939 e manteve uma carreira extensa mas acabou vindo a falecer em novembro de 83. E este cd veio em minhas mãos para dar uma sacada o que James fazia no piano. E sim, o cara era mestre no que fazia. Aqui nesta edição, temos um pouco dele num show para uma platéia bem receptiva aonde James interpreta somente com seu piano e sua bela voz temas como How do you feel, Classified, Blues rhapsody, Rockin´pneumonia, Please send me someone to love ( sim, pode mandar um amor para mim), All by myself, Ain´t nobody´s business, Something you got entre outras pérolas. Como disse antes, além do piano, James também tinha o dom de cantar muito bem, mostrando que eles tinham e sempre tiveram o feeling. Caras como James realmente sofreram na pele o racismo. Mas, ao contrário dos mimimis de hoje, eles traduziam isso na música que era suas válvulas de escape para a sociedade repressiva da época. Mas, independente disso tudo, o que resta de bom é lembrar o quão importantes foram esses caras na música, mais especificamente no blues, jazz e no r&b, aonde saíram nomes muito ricos para a cultura musical norte americana. Vale uma ouvida e você pode se apaixonar pelo som deste cara do mesmo jeito que fiquei ao ouvir. E só ressaltando que um ser radical nunca irá entender o que significa e assemelho o citado radical com a mesma mente da turma massa que ele tanto critica mas que na verdade tem a mesma mentalidade cretina e fechada. Sou eclético com orgulho e não para me aparecer. Passem bem.

Norah Jones - Come away with me

Em 2001 Norah Jones apareceu ao mundo pela primeira vez com este disco. Disco este que aparece pela primeira vez aqui em meu recinto e que tão cedo não sairá do meu coração e do meu som. Conforme já tinha resenhado aqui, ela cativou meu coração e sim, hoje sou apaixonado por Norah Jones. Na verdade já tinha uma afinidade de longe, desde o segundo semestre mas agora em 2017 tive um contato maior com ela aonde a conheci mais e sim, descobri que ela é uma mulher incrível e que me proporciona momentos de grande felicidade. Aqui, Norah já mostrava a ótima cantora que é, cantando duma forma doce e sons magníficos. Em 14 temas, temos aqui uma joia que, se não estava lapidada, já mostrava o brilho atual. Don´t know why já abre o disco e você se perguntando como não ouviu isso antes.... Sim, esta e a faixa que dá o título do disco, Come away with me, já eram manjadas pelo tio aqui mas o restante do disco é tão bom quanto as duas citadas. Seven years é um daqueles temas deliciosos que só Norah sabe fazer tamanha a beleza contida aqui. Cold cold heart, Feelin´the same way, Shoot the moon, Turn me on, Lonestar, I´ve got to see you again, Painted song, One flight down, Nightingale, The long day is over e The nearness of you também são belas e fazem deste disco uma das audições mais legais da qual tive a chance de ouvir. Não preciso falar mais nada sobre ela a não ser agradecer pela sua obra sensacional que encantou e continuará encantando meu coração. E dedico este disco a Gregg Allman que nos deixou recentemente e que, mesmo não tendo não muito a ver com o estilo da Norah, ambos possuem sim uma similaridade : ambos fazem música feita com o coração não com a mão no bolso ou de olho na carteira.

Pan Pipes - idem.

E nessas caminhadas da vida, minha vontade de pesquisar música nunca chega ao fim. Talvez eu seja um desses caras que nunca estão satisfeitos com o que tem e que sempre querem algo novo na discografia. Para mim isso é maravilhoso pois mostra uma não acomodação da parte de quem pensa assim e lógico que mantém a cabeça sempre aberta para o que vier. E o universo da música é algo que não podemos nos limitar pois é amplo e nos faz felizes sempre que achamos algo do qual nunca foi ouvido antes. Esse disquinho simplesmente intitulado Pan Pipes trouxe um momento de muita tranquilidade em meu quarto. Para quem não sabe, trata-se de um instrumental aonde o som é guiado pela aquela espécie de flauta com um monte de tubinhos e é tocada fazendo substituir o vocal, deixando somente o instrumental de determinada versão ou música própria. E o que pode parecer uma chatice, pode ser sim um momento de reflexão e aquela paz que você precisa quando não quer ouvir nada muito barulhento. É simplesmente um som para sentar no sofá e ler um ótimo livro ao som da flauta de tubinhos. Aqui temos versões para Don´t cry for me Argentina, Unchained melody, The house of the rising sun, Dust in the wind além de sons cujo nome é desconhecido da minha pessoa como Nocturno ou mesmo Ride on. Produzido por Ricardo Pilpud, o mesmo ainda tocou a pan pipe tendo Mauricio Gorcia tocando guitarra acústica em Ride on.
Quer algo sem se preocupar com rótulo? Não precisa mais provar para ninguém o quanto é real ou falso? Dê uma checada agora mesmo. Quem sabe sua esposa possa gostar.

sábado, 27 de maio de 2017

Garage Fuzz - Virada cultural - 27/05/2017

Um evento para ficar para a história. Não estou falando do evento em si e sim do show do Garage Fuzz que ocorreu agora a pouco na praça Mauá perto de casa. A virada cultural daqui de Santos é o retrato de que o outrora movimento roqueiro que existia aqui não é mais apoiado pelas autoridades locais trazendo sempre artistas de gosto duvidoso e deixando sempre o rock de lado. Sendo uma cidade que não respira rock, resta o underground para termos algum rock aqui na cidade e quando o tem, o que resta são as mais mainstream, que também não andam bem das pernas. O Garage Fuzz na virada cultural foi o equivalente ao Metallica no Lollapalooza, ou seja, a salvação da lavoura junto com outras coisas nada a ver para encher linguiça. Ok, sejamos honestos: Não conheço muito da Tiê( é assim que se escreve?) mas o pouco acaba sendo legalzinho e a Alcione possui uma puta voz em um talento gigantesco. Mas acabei indo para ver somente o Garage Fuzz e os caras não me decepcionaram. O quinteto formado pelos ícones Alexandre Cruz ( vocal), Nando Basseto e Wagner Reis ( guitarras), Fabricio de Souza ( baixo ) e Daniel Siqueira ( bateria) fizeram um puta show aonde mostraram para os que não são do estilo o que o rock pode proporcionar em termos de qualidade. Falar da competência de cada um ali é chover no molhado mas é impressionante como estes caras se portam no palco. O som dos caras não possui rótulo. Pode chamar de hardcore, hardcore melódico o que quiser. Eu coloco como uma banda de rock n´roll com uma mistura do que é mais legal entre o hardcore e o alternativo só que mais abrangente. E é impressionante como toca este Nando Basseto hein? Com solos sensacionais e belos riffs de guitarra o cara rouba a cena e olha que roubar a cena com seu companheiro de guitarra Wagner Reis também tocando muito é algo que para poucos fazerem. Adrian Smith e Dave Murray versão alternativa? Me julguem....
Outro que é um monstro no que faz é o baixista Fabricio que toca com seu baixo bem pesado e uma performance de dar gosto de se ver. Daniel Siqueira também mostrou que bateria não é brincadeira e ser baterista não é só fazer barulho e ser super rápido. E ver Alexandre dedicando o show a aqueles que estavam desde o começo assim como na voz foi de emocionar de verdade. Quem ficou em casa ou falando asneira do facebook ao invés de ir lá prestigiar um puta show só tenho a lamentar. Parabéns ao Garage e que mais shows aconteçam por aqui e que a virada cultural traga mais artistas de rock underground pois a cena independente daqui nunca teve tão rica como está agora em vários estilos. E ver o Garage me trouxe de volta aqueles tempos de ponta da praia, pôr do sol, adolescência e tudo de bom que esta vida pode nos proporcionar e que muitas vezes as pessoas ficam perdidas em brigas sem razão e coisas materiais além de status de plástico e esquecem que um show sensacional desses pode sim ser mais atrativo do que certas perdas de tempo.
Boa noite.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Velimor - Legacy

Falar sobre algo que descobriu é sim, uma das coisas mais legais que existem na vida. Todos nós, sem exceção, passamos por momentos desagradáveis seja no dia a dia social ou mesmo no serviço. E, se não houver a famosa válvula de escape seremos sugados para um abismo do qual a volta pode ser impossível e o fim chegará. Eu vejo a música como uma das dessas válvulas de escape maravilhosas. Os artistas dos quais ouvimos são seres humanos iguais a nós. Eles possuem momentos de frustração, são sensíveis e necessitam criar algo para liberar esta energia negativa para longe de si. Na hora em que você os ouve, acontece o que chamo de sincronia emocional, a famosa troca de informações, uma conversa aonde cada um dialoga do jeito que lhe acha melhor. 
Este disco do Velimor é uma obra de arte, um daqueles achados dos quais que a pessoa que lhe passou tal artefato merece sim, uma salva de palmas e toda a consideração do universo. O trio que gravou este disco formado por Mstivoy ( vocal/guitarra), Radohorn ( flauta) e S. ( bateria) foram os responsáveis pelo sorriso estampado em minha face e cada composição aqui é duma riqueza cuja sonoridade brutal alia-se a melodias vindas da música folk, criando algo culturalmente importante. A capa é uma das mais belas do estilo dos caras e combina perfeitamente com temas de força absurda como Wolfish to the wolf, Sheepish to the sheep ou mesmo em In the ruin, temos exemplos de como deve ser o som extremo. Black metal? Celtic metal? Pagan metal? Sinceramente, pouco importa. O que importa que este é um dos registros mais brilhantes do metal em geral aonde merece respeito mediante a riqueza anteriormente citada. 
Rodrigo Mesquita merece minha gratidão eterna pelo presente. Amigos são aqueles que te alegram. Simples assim. Sobre o disco, tente procurar e ouvir e caso goste do estilo, pode abraçar sem medo algum.

domingo, 14 de maio de 2017

Trinca dos Infernos - Chaoslace, Chemical Disaster e Pentacrostic - Boteco do Valongo - 13/05/2017

Nas muitas resenhas que já digitei, em algumas delas eu confesso que escrevi tal coisa errônea ou mesmo comido aquela bola ao falar de determinada banda. Com o tempo ( e o tempo nos ensina isso), fui digitando melhor e deixando de lado assuntos polêmicos que nada acrescentaria nesta resenha, ou melhor, nesta noite magnífica sempre com amigos afim de se divertir e dar inúmeras gargalhadas ( Marcello e Grell são insuperáveis ) além de conferir 3 shows destruidores. E foi assim a noite de sábado no Boteco do Valongo que vem ganhando cada vez mais credibilidade graças a qualidade no atendimento e dar espaço para bandas de metal autorais em pleno sábado aonde poderia muito bem investir em algum Pearl Jam cover com a desculpa de que " o que vira é banda cover", eles sabem muito bem dosar tais seguimentos noturnos abrindo espaço também para ótimas bandas covers, sejamos sinceros. Afinal, o Killmister é um tributo ao Motörhead que, com tamanha qualidade entre os músicos, estão pensando em gravar material autoral.
Ontem a noite abriu com o trio do Chaoslace e foi mais uma ótima surpresa no cenário nacional. Arregaço!!!!!!! Praticantes de um death metal brutal e sem a menor frescura, os caras quebraram tudo tocando faixas de sua carreira, com direito ainda a um ótimo cover para Necromancer ( Sepultura), que ficou bem animal diga-se.
Na sequência vieram os já conhecidos do Chemical Disaster que sob a liderança do frontman Luiz Carlos Louzada fizeram o que podemos dizer de jogo ganho desde a primeira faixa até a última. E que cover sensacional eles fazem para Black metal ( Venom). Fora aquele que para mim é o clássico dos caras, Sexual Maniac, um arregaço que ao vivo mostra o poderio da banda. Não tem como passar indiferente a performance dos caras. Carlinhos Diaz ( baixo) literalmente encara a platéia com um olhar furioso que você jura que o cara vai pular no palco e lhe dar um soco no estômago, puta presença de palco!!!!!!! Os guitarras são outro show a parte além do batera que é uma máquina de espancar peles de bateria. Ícones não precisam dizer mais nada nem muito menos provar nada para ninguém. Eles apenas sobem ao palco e tocam para o público!!!!!!
Tal afirmação funciona perfeitamente para o Pentacrostic, banda veteraníssima de death doom metal que voltou a baixada após 20 anos de espera e não decepcionaram. Tocando um som bem diferenciado, a banda formada pelo incansável baixista e vocalista Marcelo Franja e tendo numa das guitarras a lenda Fábio Jhasko que "só" tocou no Sarcófago além de revelar ser um cara humilde e conversou com a galera após o show. Além do set autoral, a banda ( graças a presença de Fábio) executou uma belíssima versão de Midnight Queen da banda original e que momento.....
Finalizada a noite, o retorno ao lar foi compensador e agregou mais uma vez em meu Curriculum metálico esta que foi mais uma grande noite. Que venha a Cena com mais uma banda do qual irei falar em breve. Até lá.....