terça-feira, 13 de março de 2018

Bob Marley - Audio Archive

Por anos eu ignorei tal musicalidade, sua ideologia. Por anos eu não gostei de Bob Marley até um momento recente quando, junto a amigos na mesa do China ( tradicional boteco da galeria no Gonzaga), comecei a ouvir mais suas músicas e fui repensando meus conceitos acerca deste camarada. E finalmente realizei meu sonho em ter um disco dele. Lógico que este disco não é a principal coisa que ele fez na carreira mas o que consta neste álbum já trata de um belo início. Uma paz reinou em meu quarto. Paz esta que somente a boa música pode curar pensamentos infelizes, acontecimentos distantes que nos fazem pensar de vez em quando. A música, pesada ou não, salva vidas e mentes vazias. Liberta nossa angústia e nos enriquece culturalmente. E aqui temos 20 faixas deste que é o rei no estilo que faz. Aqui é reggae enraizado, uma espécie de Robert Johnson do gênero. Uma pena o estilo ter se tornado um tanto pop demais graças a algumas tranqueiras mas basta ouvir o Bob para relembrar do que trata o som vindo da Jamaica ( mas que alguns juram que foram os Beatles) e retratar não só a música mas a mensagem que tais letras passam a todos nós.
Alguns temas como Soul rebel, Kaya, Stand alone entre outros sons neste disco podem ser aquela válvula de escape para aqueles dias em que tudo pode ser turbulento mas sempre teremos uma luz no fim do túnel. Nem sempre será chuvoso mas também torna-se impossível todos os dias serem ensolarados. É necessário resgatar a esperança enquanto está chovendo para quando vier o sol sua alma e mente esteja pronta para recebê-lo com muita paz e fraternidade.
Entre outras palavras, a vida está aí e sabemos que nem sempre é fácil lidar com ela em inúmeros aspectos. Mas um gênio como Bob Marley nos mostra e sempre irá nos incentivar a sermos melhores a cada dia que passa. Aliás, a música bem feita e que possua algum conteúdo pode mudar muitas vidas. Maravilhoso!!!!!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Charlie Parker e Oscar Peterson me trouxeram uma musicalidade fantástica.

Após escrever acerca dum evento de bandas de som extremo, nada mais significativo de mudar um pouco o ar e ir para esta praia ás vezes complexa para alguns mas irresistível para outros tantos. O jazz como forma musical não é fácil em algumas horas mas num momento em que você coloca estes discos para rolar, bate aquela sensação de paz e harmonia tamanha que você agradece aos céus por tais joias lançadas pela Folha de São Paulo. Num encarte bonito, além do disquinho vem um livretinho falando acerca do artista, faixas e algumas curiosidades acerca desses grandes gênios da música. Começando pelo grande saxofonista Charlie Parker, o cara foi nascido em Kansas e desde cedo mostrou uma aptidão faminta pelo jazz e desde moleque já arriscava tocar e com treinamentos cada vez mais intensos, o mesmo mostrou que foi um dos melhores do gênero. Mas ao mesmo tempo que tinha a genialidade para a música, acontecimentos pessoais o fizeram ser viciado em heroína e em álcool desde cedo chegando a comprometer seu lado profissional culminando em faltas em ensaios e performances constrangedoras. Morreu cedo, aos 34 anos, mas deixou um legado maravilhoso e aqui constam 16 faixas que passaram tão rápido tamanha a qualidade e ao mesmo a forma gostosa que canções como My little suede shoes, Lover man, Repetition, Just friends, Night and day e Now ´s the time afloraram em meu quarto duma forma sensacional.
Indo para o pianista Oscar Peterson, este camarada nascido em Montreal no Canadá também desde cedo foi criado numa família cujo pai opressor praticamente fazia os filhos tocarem piano e algum instrumento de sopro. Como Oscar sempre se mostrou interessado na música, não levava a linha dura do pai como um mal negócio mostrando que alguns paus moles de hoje são leite com pera demais sendo que faltam pais mais rígidos como o de Oscar para dar uma lição a esta geração de adolescentes mimados. Causando furor entre o público e uma certa repudia da mídia, o mesmo encarava as críticas da mesma forma e sempre foi um cara que nunca se rebaixou para ninguém. Alguns acusavam temas como Night train, West coast blues, Love for sale ou mesmo Gal in calico complexos demais mas sinceramente o que me passou foi sim uma música desafiadora porém eclética e acessível aos ouvidos deste que vos digita.
Estas séries são recomendadas pois além da música há toda uma história inda de cada desses músicos. Datado? Som de tiozão? Conservador demais? Metido a inteligente? Deixo os comentários para vocês. Uma coisa é certa: ouvir música por ouvir ou mesmo por ser da moda ou pior ainda, ouvir porque todo mundo ouve.... Prefiro ser inteligente, conservador, tiozão ( eu sou tio da Luísa) e datado do que ser mais um zé ninguém manipulado que não acrescenta em nada não passando dum ser acéfalo e inútil. Boa tarde....

Tosco , Chaoslace e Infector Cell - Estúdio Dakota - 11/03/2018

Um domingo de sol, calor e um clima agradável de paz e harmonia. O estúdio Dakota mais uma vez proporcionou um evento bacana sempre reunindo bandas de muita qualidade aonde podemos nos manter antenados com que rola de bom no underground e esquecer um pouco os problemas e de quebra encontrar os amigos e bater aquele papo tendo como trilha sonora bandas fenomenais.
Logo de cara um lance bem bacana: no bar do Jorge estava rolando um grupo mandando um samba de muita qualidade e o mais legal disso era que, tanto a turma do samba quanto do metal estavam no mesmo território convivendo numa boa e isso é maravilhoso e que mostra uma luz no fim do túnel em termos pacíficos.
A primeira banda foi o "estreante" Tosco, que debutaram no Dakota e simplesmente foi de quebrar tudo. Coloquei o estreante entre aspas pois de novatos a banda só tem o nome porque de resto a banda é formada por veteranos do som nacional. Formado por Osvaldo ( vocal, One Broken Finger, Repulsão Explícita), Ricardo ( guitarra, Chemical Disaster, Vetor, Repulsão Explícita ), Anderson ( baixo) e Paulo Mariz ( Infector, Killmister, Sacred Curse, Front, Coração de Herói, Cosmic Game), os caras praticam um thrash metal com aquelas pitadas sensacionais do hardcore gerando uma máquina demolidora e com letras fortes a banda simplesmente passa um recado direto e reto aonde pessoas frescas não devem ouvirem pois correm o risco de ficarem chorando de medo. Com temas reais como Soberba, Temos o que Temer, Cala a boca globo, Mercadores da morte e Cenário de Chacina, todo o poder de contestação está aqui. Além dum instrumental brutalmente bem feito, Osvaldo sabe muito bem como dosar raiva e consciência sendo assim desde seus tempos de One Broken Finger e Repulsão. Um momento muito foda foi na faixa Amigo seu aonde o mesmo dedicou a amigos nossos que nos deixaram recentemente como os saudosos Neto, Hansen, BV. Não importam as circunstâncias, a tristeza da perda de qualquer amigo seu é dolorida e torna-se difícil se conformar ou aceitar. E o que falar do cover do Sacred Reich? Simplesmente perfeito!!!!!!! Que logo logo apareça o disco de estréia!!!!!!!
Na sequência tivemos o death metal brutal do Chaoslace de São Bernardo do Campo ( sp). O trio formado pelos competentes Leandro Nunes ( guitarra/vocal), Diogo Rodrigues ( bateria) e Giovanni Fregnani ( baixo) revelam muito suas influências calcadas em Deicide, Krisiun, Morbid Angel entre outros baluartes do metal extremo. Na divulgação do disco Inhumate terror cult a banda veio mais uma vez a Santos e deixaram de boca aberta inúmeras pessoas com um som brutal e técnico. Eu mesmo fiquei petrificado diante de tanta qualidade e uma banda tocando com muita garra e atitude. Para quem já assistiu esses caras no palco sabe muito bem do que estou falando.
A última atração da noite, os também conhecidos do Infector Cell não ficaram atrás e proporcionaram um set list de muita qualidade num som sensacional, pesado e com toques de hardcore num som imensamente furioso e que atormentaria os mais sensíveis. Pelo bem da minha pessoa, o set não obteve nenhuma novidade pois o show desses caras não devem nada a ninguém e sempre me deixa muito orgulhoso quando caras assim tocam bem além de serem pessoas humildes e o clima de amizade entre os caras das bandas nos mostra que ainda podemos ter uma união forte e duradoura aonde a rivalidade inexiste permanecendo assim o clima de paz entre todos os envolvidos.
Um domingo que poderia ser igual a todos os outros foi um belo domingo de som impecável, amizades e um puta clima de paz. Afinal de contas, não é isso que o rock em seu estilo mais puro e enraizado prega? Parabéns as bandas, Dakota e aos amigos que me fizeram um cara feliz e culto.
Leandro Nunes do Chaoslace do Dakota


Ricardo e Paulo querem tocar!!!!!

Osvaldo e Anderson quebrando tudo
Giovanni e Diogo mandando o death metal brutal do Chaoslace

domingo, 11 de março de 2018

Dirty Grave - Evil Desire + Ep Dirty Grave

Ao som do mestre Charlie Parker, eis que vou falar de mais um grande talento da música brasileira. Independente de cantar em inglês ou ser pesado, trata-se sim duma faceta da música brasileira que muito brasileiro quer ignorar ou se faz de surdo. Lançado aqui na baixada pelos Brothers of Metal e Bagaça Records, a dupla Victor Berg ( guitarra) e Mark Rainbow ( baixo e vocal) destilam neste lançamento um doom metal de qualidade que aliada a sonoridades stoner deixam o som muito legal e caso goste de Black Sabbath, Cathedral, Witchfinde General, Trouble entre outras obras do gênero, torna-se inevitável ter este disco gravado entre final de 2016 e começo de 2017.
O que achei bacana foi a banda ter se diferenciado do extremo e mostrado que podemos ter bandas de doom, hard, aor e não somente death e black metal. Acredito muito que a diversidade é um fator importante numa discografia.
Em Evil Desire, um destaque já salta como sendo um belo destaque. Trata-se do maravilhoso cover para Evil ( is going on ) do eterno Howlin´wolf mostrando inclusive que a banda mantém o ouvido antenado não só em Sabbath e cia. Mas temos as pérolas autorais e elas estão representadas em Satan´s Wings, Until the day i die, Beyond thr door além de Remorse e The black cloud comes.
De quebra ainda temos as 4 faixas do Ep lançado anteriormente e mais faixas brilhantes constam aqui incluindo a maravilhosa Bless the dead, um verdadeiro artefato musical.
Torço muito para que lancem mais discos assim como tenha uma projeção maior pois talento esses caras possuem. Belo começo!!!!!!!!!

Frank Blackfire e Heavenly Kingdom - Boteco do Valongo - 9/3/2018

Uma noite da qual estava indo para casa, vestir meu pijama do Judas Priest e ficar sossegado ouvindo meus discos. Sim, este seria meu programa nesse dia mas um grande amigo me mandou uma mensagem e me lembrou deste show marcante. Um cara chamado Pepinho Macia. Um eterno organizador de eventos, Pepinho é um daqueles caras dos quais temos que dar aquela palmatória pelo fato de fazer o que gosta e investir nisso com muito amor e carinho. A volta duma loja sob seu comando em pleno gonzaga foi e sempre será motivo de comemorações. Rafa, Pepinho e os brothers Sérgio Dias e Ricardinho estão de parabéns por manterem o rock vivo aqui.
Chegando ao Boteco do Valongo, alguns amigos detectados e o sempre sorridente Pepinho davam indícios de que se fosse para casa teria me arrependido depois. Frank já estava por ali, uma lenda viva do metal mundial. Caso você não saiba, este guitarrista simplesmente tocou nos melhores anos de Sodom e Kreator além de ter montado o competente Mystic aqui no Brasil quando o mesmo chegou a morar por aqui. Além dele teríamos os veteranos do Heavenly Kingdom liderados pelo hoje vocal e guitarra Vagner Mesquita.
Mas a noite foi aberta por Frank Blackfire e mais dois músicos brasileiros e o alemão meio fechadão mostrou que artista não precisa ficar o tempo inteiro sendo atrativo com fã e sim subir ao palco e fazer o seu show e foi o que Frank fez. Entendo que o cara quer uma atenção pois afinal de contas, não é todo dia que você vê o Frank Blackfire na sua frente mas entenda que ele é um ser humano e ser humano fica cansado com viagem entre outras questões. O cara tocou e cantou clássicos duma era brilhante tanto do Sodom quanto do Kreator além de coisas de sua carreira solo. E num esquema power trio, tivemos um ótimo set. Preciso dizer da importância duma faixa como People of the lie ? Nem preciso dizer o quão maravilhoso foi ver um dos criadores desta que é uma das músicas mais emblemáticas do heavy metal mundial. Após o show, Frank ficou no recinto para atender os fãs e acabou vendo o show duma banda que melhorou muito ao meu ver. O Heavenly Kingdom subiu ao palco do Boteco e com um disco novo na praça Vagner e cia mandaram sem dó um thrash metal vigoroso, cheio de atitude e que cala a boca de quem julga a banda por ter uma proposta ligada ao white metal. O que eu já disse e repito: enquanto as pessoas ouvirem bandas se preocupando com tipos de letras e ou ideologias e esquecerem do som, sempre será complicado. Imagina um cenário que já é marginalizado pela grande massa. Unidos seremos fortes mas desunidos seremos uma raça extinta enquanto tais linhas de pensamentos que para mim soam atrasadas.
Pois bem, tocando um som numa linha do thrash focado em Metallica, Exodus, Slayer e até com um que de Kreator, o Heavenly Kingdom está bem forte e olha que estamos falando duma banda que tiveram em suas fileiras outros instrumentistas de grande competência como o Fernando e o Abílio. Após o show, constatei o tento de talentos temos aqui sendo o Heavenly Kingdom um desses artistas que batalham e tocam pelo fato de gostarem do som praticante.
Parabéns a todos os envolvidos e principalmente a Pepinho Macia por mais uma noite regada a metal de qualidade.
Heavenly Kingdom com um dos destaques que foi o baixista Leandro Dias que chegou a subir no palco na hora do Frank e mandar partes vocais num dos sons.

Frank Blackfire em ação com músicos do Woslom.

Heavenly Kingdom mandando uma atuação bem própria do  Thrash metal.

Apesar de pouco comunicativo, Frank tocou pra caramba. E ganha um brigadeiro quem adivinhar quem é este figuraça que saiu na foto. Um guerreiro!!!!!

domingo, 4 de março de 2018

Hierarchical Punishment , Mortifer Rage, Reffugo e A Phoyce - Boteco do Valongo - 04/03/2018

Um domingo recheado de sons muito legais e contestadores foi o que ocorreu. Num dos poucos eventos aos domingos, o Boteco do Valongo abriu as portas para 4 bandas tocarem seu som, passarem suas ideias e mostrarem sim que a diversificação de estilos no som pesado faz muito para a saúde. O que algumas pessoas precisam entender é que, independente do propósito sonoro, ali o peso estará presente assim como o poder de ir contra esta maré sistemática e opressora. O que podemos fazer, como membros pensantes, é continuar divulgando o som de qualidade.
Não irei entrar no quesito quem foi ou não. Isso chega a ser conversa repetitiva e mal humorada que acaba ofuscando os grandes momentos ocorridos hoje. E o Boteco do Valongo, da entrada até a saída do evento temos sempre um ótimo atendimento além de preços honestos de bebidas e comidas.
Indo para as bandas, foi um deleite para quem curte som pesado. Abrindo a festa tivemos Grell e seu Hierarchical Punishment que vem seguindo com uma agenda bem servida de shows na divulgação do recém lançado The Choice. Como sempre, um set list brutal que contou com clássicos, o eterno cover do Extreme Noise Terror e algumas novas do álbum que está chegando. Falar deles é chover no molhado porém é sempre muito bom ressaltar o poder destes caras encima dum palco. Quem já viu a banda ao vivo sabe do que estou dizendo e hoje não foi diferente. Maravilhoso!!!!!!
Na sequência tive a surpresa de constatar o quão bom são os mineiros do Mortifer Rage, banda formada em 1999 com o propósito de tocar um death metal brutal e que não deixa a peteca cair de forma alguma. Divulgando o disco Fall of Gods , Carlos Pira ( vocal/baixo), Robert Aender e Ramon C. (guitarras) além de Wesley Adrian ( bateria) saíram do palco como vitoriosos e contentes por estarem ali tocando para nós. Se curte a linha old school noventista, deve checar o som desses humildes músicos.
Aí veio o já conhecido Reffugo e seu quarteto formado por músicos do calibre de Rodrigo Malevolent ( baixo/ vocal), Wellington Simões e Vinicius Souza ( guitarras) e o excelente baterista Levi Tavares. Na divulgação do excelente Christ Agony, o quarteto tocou algumas do disco como a faixa que dá nome a banda além de Man of Darkness e Carnal Desire. Além dos sons próprios, os caras mostraram o quanto músicos são ao mandarem uma puta versão de Heartwork ( Carcass) além duma espetacular versão para Eletric Eye ( Judas Priest) com a participação de Luiz Carlos Louzada( Vulcano, Hierarchical, Killmister ) na bateria. Um detalhe importante é que a dupla de guitarristas ( excelente por sinal) tocaram no Nervochaos tempos atrás. Saíram do palco no melhor estilo festeiro e felizes por estarem na baicada mais uma vez, os caras se mostraram grandes pessoas, que gostam do que tocam sem o menor estrelismo ou confetes.
Fechando a noite, o trio de punk/hardcore/grind A Phoyce diretamente do Guarujá para o Boteco e mandarem alguns sons bem bacanas para curtir e letras para se pensar no que você anda fazendo para ser alguém melhor. Liderado pelo Phabiño Lopes ( guitarra/vocal) que também mantém o estúdio que leva seu nome e está sempre atuando na cena underground. O som é mais ou menos parecido com o que o Surra executa, ou seja, um som brutal e contestador. A banda ainda contou com a participação do figura Marcus Vinicius, que vem de longe para participar dos shows mesmo sendo um cadeirante.
Enfim, um evento bacana, cheio de pessoas bacanas e bandas que fizeram jus ao termo união e ótimo som. Parabéns a todos os envolvidos no dia de hoje e que mais e mais shows assim aconteçam.






Hierarchical Punishment, Mortifer Rage, Reffugo e A Phoyce atuando no palco do Boteco

sexta-feira, 2 de março de 2018

Angra - Omni

Nesta vida aprendemos inúmeras coisas, sendo uma delas dar uma chance a artistas que até então sua mente considerada perdida e acabada. O Angra por exemplo era uma dessas bandas que, mesmo continuando durante todo este intervalo distante, para a minha humilde opinião eles deveriam estar encerrando atividades. Porém nem tudo estava perdido. Quando iniciaram o processo de gravação deste disco, fui me empolgando com o que estavam prometendo e conforme foram dadas as primeiras opiniões acerca deste disco, fui criando aquela expectativa de que o Angra deveria continuar mesmo somente com o guitarrista Rafael Bittencourt na formação original. Mas aí começaram a chover na internet que uma participação da Sandy ( ela mesma) estaria neste novo álbum num dueto com Alissa White- Gluz na então desconhecida faixa Black Widow´s web. Os metaleiros ( sempre eles) ficaram araras nervosas e os ataques ao disco novo ou mesmo ao Angra começaram e virou aquele mimimi interminável, uma coisa que chegou aos pilares do humor de tão risível que são esses meninos tão nervosinhos e radicais. E o que acontece quando algo é atacado mesmo que de forma negativa? a promoção e a curiosidade batendo mais ainda. Cheguei então neste dia esperado e ouvi a tal faixa. A música em si é muito foda, independente de ter a Sandy ou não nela. Uma levada moderna, atualizada e um Angra renovado e pronto para voltar em grande estilo a minha coleção de discos. Mas como o disco não é feito de uma só faixa, veio a primeira faixa Light of transcendence e a constatação de que a banda estava afiada, mantendo suas raízes no metal porém sempre adicionando algo legal em sua música. Travelers of time é outra faixa sensacional com aqueles toques de percussão no melhor estilo Carolina IV entre outras e que mostra aos mais raivosos que sim, a música brasileira pode ser inserida sem descaracterizar o som pesado. E você acha que parou por aqui? Temos muito mais!!!!! Outros momentos brilhantes estão em Insania ( muito boa mesmo), a excepcional The bottom of my soul, esta com os vocais do Rafael que por sinal revela-se um baita cantor. Conforme o mesmo, a decisão de cantar esta faixa foi que a letra ( escrita por ele) reflete um momento difícil pelo qual passou e que somente ele poderia dar o toque emocional que a canção pedia. Esta faixa confesso que ouvi com muita atenção pois traduz o que eu passei com a perda da minha cocker Pink no ano passado, numa daquelas conversas indiretas que temos com nossos músicos dos quais admiramos. War horns é outra bela faixa com direito a solo do Kiko Loureiro ( hoje no Megadeth) aonde ele toca no estilo habitual. Não sou fã do estilo de tocar dele mas uma coisa é certa: o cara é um dos melhores talentos do metal mundial e não foi por camaradagem que Dave Mustaine o chamou para dividir as guitarras no Megadeth. Aliás, recomendo que assista os dois vídeos aonde Kiko comenta acerca do primeiro lugar da faixa The black widow´s web e acerta em cheio ao falar o quão doente anda a música brasileira atual. Opiniões estas que traduzem a insatisfação duma parcela populacional que simplesmente não aceita esta imposição por parte destes estilos musicais.
Magic mirror é uma daquelas faixas que dá prazer em ouvir tamanha beleza na canção como um todo, desde a ótima performance de Fábio Lione até o ótimo instrumental tocado pelo já citado Rafael e Marcelo Barbosa ( guitarras), Felipe Andreoli ( baixo) e o talento Bruno Valverde ( bateria), mostrando uma musicalidade impecável duma banda que soube atropelar os problemas e vir com algo forte e duradouro. E o que falar de Always more e de Fabio Lione? A música é fantástica e Fabio... bem, este italiano é um monstro na voz e sabe cantar de formas brilhantes e não força a barra como vemos em alguns metidos a cantores por aí. As faixas Omni - Silence inside e infinite nothing são daquelas pérolas musicais supremas e fecham o disco que pode ser considerado o melhor desde Temple of Shadows sem sombra de dúvida. E ouçam a faixa Caveman, ela vai lhe dar uma nova perspectiva de que não podemos misturar estilos musicais com o metal.
Enfim, um belo disco e uma banda renovada e pronta para mais alguns anos nos palcos e gravando discos. Parabéns ao Angra!!!!!!!!! E parabéns a Sandy!!!!!!! Viva o metal nacional.