segunda-feira, 22 de abril de 2019

Natural Hate - Welcome to Underground

Natural Hate - Welcome to Underground
De volta com alguns discos legais que descobri, virá uma seleção de bandas nacionais que englobam estilos diferentes porém a qualidade é algo que teremos em comum. Não é mais uma novidade que as bandas hoje em dia estão trabalhando para se manterem em pé, mesmo a maré nadando contra em diversos aspectos. Este trio de Caetité ( BA) mostra a que vieram com este puta som de 2017. Intitulado Welcome to Underground, a banda em seu texto no encarte diz que o nome " é um olhar sobre o sertão moderno, que dialoga com a globalização, tecnologia aonde novos e antigos problemas de um mundo caótico que luta para manter viva suas tradições, cultura e história". Vinicius Toledo ( vocal/guitarra), Nawdson Leite ( baixo) e Helber Carvalho ( bateria) executam um thrash metal com as pitadas necessárias de death metal deixando o som bem encorpado mas sem ficar veloz demais. Ouvindo as 11 faixas temos uma banda que não tem medo em adicionar ritmos sertanejos ( não confundir com música sertaneja) em meio a brutalidade do som como mostra My origin e a última faixa chamada Sangue, suor e poeira aonde belas violas dão aquele tom de interior. Isso só mostra que uma banda pode arriscar, mostrar que o Brasil é rico em cultura sendo este resgate sonoro algo bem aproveitado quando feito sem forçar a barra. Outras faixas são soberbas como a que abre o disco Ready or not, here i come além da faixa título, Terrible wonder of the world, Suffocated in shit e I see.
Uma banda que me veio em mente foi o Deadpan que faz algo semelhante ao Natural Hate inclusive o vocal lembra bastante além do fato de que ambos não precisam tocar na velocidade da luz para mostrar que é extremo. Se você não ouviu ainda, ouça pois a banda é bem legal e vai cair em cheio para quem aprecia as vertentes citadas mas com a cabeça aberta pois aqui não cabe comentários ou mesmo pensamentos radicais. Disco matador!!!!!!!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Kid Rock - First Kiss

Em conversas com amigos, uma das coisas das quais enaltecemos é o poder que a música realiza em nossas vidas. Como um pensador famoso disse, sim, a vida sem música seria além de um grande erro, um verdadeiro desperdício de energia e total falta de motivação. Já imaginaram o que seria de cada um de nós caso não houvesse discos legais para ouvir? Conheço gente que já me falou que não ouve música.... Fazer o que não é mesmo? Em minhas recentes leituras li um livro chamado Playlist da minha vida aonde uma adolescente passa por diversas situações em que a falta de música iria gerar consequências bem mais desastrosas para ela. E confesso que me identifiquei muito com a história a ponto de até me emocionar ao fim da leitura. E tudo que eu disse agora pode não valer de nada mas representa o que eu sou e espero ser até o fim da minha vida. Que meus últimos 50 anos aqui na Terra seja com muita música, velha ou nova.
Voltando ao ponto principal aqui, nosso convidado de hoje é o canastrão Kid Rock e seu disco First Kiss, lançado em 2015 e mostra uma faceta já conhecida mas não tão utilizada em seus primeiros discos. Kid Rock gravou neste álbum um belo southern rock que aliado ao country produziu 10 faixas bem ao estilo sulista de ser. Se você torceu o nariz em suas músicas mais rap, esqueça um pouco aquela fase. Kid Rock aqui faz o som típico de Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e afins. Lógico, não está idêntico aos citados pois pitadas de pop estão aqui e acolá mas a intenção dele aqui foi justamente relembrar que todo norte americano, não importa o estilo, respeita muito as bandas citadas e como o mesmo já indicou o citado Lynyrd no Rock n´roll hall of fame e que chegou a cantar na banda em substituição a Johnny Van Zant em alguns shows por problemas de saúde, o que ouço em First Kiss não soa tão estranho assim.
O disco abre com a faixa título, uma sonzeira de respeito para botar para cima aquele domingo de manhã, um clima de praia, mulherada linda e muito amor no coração. Good times, cheap wine dá a sequência, uma levada primorosa, empolgante. Johnny Cash ( com um nome desses, precisa citar algo?), Ain´t enough whiskey e Good time lookin´for me mantém a ótima pegada do disco, simplesmente cada segundo torna-se divino. O disco fecha com a bonus track Say goodbye, uma daquelas faixas emocionantes da qual sentimos orgulho imenso e um enorme respeito por Kid Rock. Best of me, One more song e Jesus and bochephus completam este magnífico track list e um belo recado a você radical: escute este disco com calma e mente aberta. Todas as faixas foram produzidas por Kid com exceção da faixa título que foi produzida em conjunto com o 'papa' do country Dann Huff. Seria mais uma noite comum de quinta. Seria pois First Kiss alegrou um pouco meu ser. Uma salva de palmas para Kid Rock!!!!!!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Céu - Vagarosa

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Hoje estava ali na Besouro discos e fui presenteado por amigo meu com este disco desta cantora. Já tinha ouvido falar dela e bem por sinal. Pois bem, cheguei em casa e botei pra rolar este disco de 2009 chamado Vagarosa e logo na primeira faixa de fato ( há uma intro antes), Cangote, o estilo da cantora já me cativou. Bela voz unido a um instrumental rebuscado é o que logo constatei e gostei bastante. E o disco seguiu assim até o final com a belíssima e viajante Espaçonave, uma viagem cósmica que consegue unir psicodelia e pop numa tocada só. Mas há outros destaques como Comadi, Nascente, Grains de beauté ( magnífica), Vira -lata ( participação de Luiz Melodia), o belo interlúdio Papa além de Ponteiro, Cordão da insônia, Rosa menina rosa ( composição de Jorge Benjor) e Sonâmbulo são daquelas faixas das quais lhe mantém encantado enquanto o disco rola no seu som. A garota Maria do Céu Whitaker Poças ou simplesmente Céu iniciou em 2002 sendo este Vagarosa seu segundo disco e que vendeu muito bem nos EUA e aqui no Brasil causou um belo burburinho. Junte num caldeirão Bebel Gilberto, Marisa Monte, música alternativa e você terá mais ou menos uma ideia do som muito bem encaminhado aos meus ouvidos.
Esta cantora mostra uma faceta da música brasileira que precisamos mostrar as pessoas pois desacreditadas acham que esses lixos do mainstream são o que representam a música feita por aqui. Ledo engano. Céu mostra que há aquela luz no fim do túnel e que pode sim ser acessível sem ser piegas ou pregar futilidades como faz Anitta, Ludmilla entre outras enganadoras que existem por aí. Como prefiro escutar e falar do que eu gosto e ignorar coisas das quais não me agregam, utilizo meu tempo livre afim de escutar preciosidades do quilate desta cantora. Ouça este disco agora mesmo!!!!!

terça-feira, 26 de março de 2019

Caffeine Blues - Entre o céu e o inferno

Estava aqui em casa ouvindo esta banda e aproveitei para dar uma passada aqui no blog afim de comentar acerca deste ep muito bacana do qual fui agraciado domingo último num grande evento aqui. E a cada ouvida, gosto cada vez mais deste som. Hardcore melódico mas com uma pegada um pouco mais agressiva, priorizando a energia que é bem habitual ao estilo. As letras são em português e causa um grande impacto já que fica mais na cara do ouvinte certas idéias. Faixas como Locomotiva, Anúncio, Noite fria, Contrato e Suor cativam logo de cara aonde um vocal urgente aliado a guitarras bem timbradas e cozinha magnífica fazem de Entre o céu e o inferno uma das melhores audições que podemos ter. A banda foi formada em Santo André em meados de setembro de 2007 e conta com Leonardo Alves na guitarra e vocal, Allan  na outra guitarra além da cozinha formada por Élio no baixo e Eduardo na bateria. Caso tenha o nome desta banda em algum lambe lambe de show, não perca tempo e vá. Enquanto vemos o mainstream cada vez mais definhando com as mesmas propostas radiofônicas desgastadas e fúteis, um cenário underground está cada vez mais forte e lançando discos como este. Confira!!!!!!

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Public Enemy - Muse Sick-n-Hour Mess Age

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A verdadeira voz da resistência. A manifestação nua e crua duma geração que realmente queria fazer algo. O rap naquela época era um instrumento de total não conformidade para com o sistema sugador e opressor. Ali ninguém queria saber de gracinhas nem de desmoralizar de forma amadora. Grupos como Public Enemy, Run DMC entre outros tinham uma contestação e ainda uma musicalidade que hoje inexiste no rap americano. Sabe o que acontece quando um estilo que era contrário ao status quo, vira o status quo? Ele passa a ser igual a eles. Hoje você vê esses rappers atuais e dá vontade de vomitar quando escuta estas produções pasteurizadas ao extremo com letras aonde a regra é transar, banalizar a mulher e incitar toda uma geração a ficar chapada o tempo todo. O rap antigo não era conservador e sim contestador.
O rap americano de hoje é o que rola aqui em terras nacionais com esta futilização absurda propagada pelo tal do funk carioca aonde ostentar é o único objetivo do "futuro" do Brasil. Chuck D e cia jamais iriam entender tais manifestações mas o que resta a mim é ouvir este disco soberbo de música negra de raiz, sem ser vitimas e sim verdadeiros guerreiros comprometidos em mostrar aos verdadeiros racistas que o negro não precisa de esmola. Aliás, toda a música que ouvimos hoje em dia tem raiz negra, do blues, rock e indo para o rap, o negro detém os créditos de possuirmos discos legais para ouvir. E esta pérola de 94 veio em minhas mãos e cada faixa foi ouvida com muita atenção. Cada faixa é uma aula de como se portar como ser humano, de não abaixar a cabeça para quem quer te derrubar a todo custo. Eu não acredito em Chico Buarque, Caetano Veloso e sim em Chuck D, Mano Brown, Chorão, entre outros caras que realmente falam uma língua urbana e inteligente, sem apelar para sensacionalismos baratos.
O rap é uma força bruta, insana e que nunca irá se calar. Faixas como What side you on?, White heaven/ black hell são obras aonde o cenário é a rua, o caos urbano em que vivemos. Eu não acredito em histeria, pessoas cujo propósito é defender lados de políticos e famosos polemistas de redes sociais que amam cagar regras só pelo propósito de fazer bagunça e gerar atenção.
Ouvir este disco é uma dádiva. Clássico. Acho vou ouvir de novo.....

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Shakira - Greatest Hits

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No momento em que estava bolando um texto sobre a situação da música pop atualmente, me veio este ótimo Greatest Hits da colombiana Shakira. Você já reparou o quão rala está a música mainstream? E seria imensamente fácil descrevermos o panorama caótico da música aqui no Brasil aonde lixos tóxicos fazem sucesso da noite pro dia com uma música cada vez mais preocupada em gerar 'likes' ou mesmo uma geração cada vez mais estúpida e desprovida de qualquer noção de ser ridículo. Como vi num vídeo no you tube, um comentarista da Jovem Pan especificou que a música pop antigamente tinha algo a mostrar, era mais profunda e despertava algo emocional no ouvinte. Hoje me gera uma certa vergonha alheia quando constato que a música perdeu este sentimento e o que importava ( a música) foi para o brejo e deu lugar a dançarinos e todo um clima de circo. Confesso que nem perdi meu tempo assistindo o Grammy mas um grande amigo meu me mandou um vídeo duma apresentação de uma tal de Cardi B. Antes que você faça a poética pergunta  " que porra é essa?" saiba que esta foi a minha reação quando vi o tal vídeo. Meu amigo roqueiro radical, se você achava a Shakira algo ruim e faixas como Estoy aqui, Un poco de amor, Donde estás corazón, Ciega, sordomuda, Ojos asi entre outras desta coletânea vai passar a amar toda e qualquer música da colombiana assim que tiver o mesmo desprazer que o meu ao ver a tal Cardi B. Juro, a música pop está acabada de vez. Ainda que cantoras veteranas continuem na ativa, a nova geração de cantoras mostra que o futuro da música pop está condenado a permanecer na masmorra da imbecilidade e sem a menor esperança de salvação. E podem começar a rezar pois algumas das veteranas estão com no mínimo 30 anos de carreira. Ok, o rock não anda lá muito bem mas ainda assim sempre ouço alguma banda nova muito legal surgindo que não terá a mesma magia que os medalhões tiveram mas independente de serem ou não clássicas as bandas de hoje fazem algo bem bacana e com consistência ao contrária dessas novas queridinhas descartáveis do pop.
A mesma sensação eu sinto quando escuto hoje em dia Rouge, Kelly Key, Ivete Sangalo e lembro como se fosse hoje meus amigos chocados ao saberem que eu gostava dessas cantoras. Pois bem, olhando o panorama de hoje, a Kelly Key daria uma surra nesta Cardi B assim como a Wanessa Camargo seria a grande aposta, bem melhor que a tal cantora do vídeo.
E falando em Shakira, não foi a toa que a mesma conseguiu chegar aonde chegou. Sua voz única e cantando em espanhol conseguiu driblar o preconceito de muitos quanto a cantoras latinas com algo impactante e cheia de emoção.
Não quero encarnar o tiozão ranzinza e conservador mas não posso ver o que vejo e ficar calado. Vemos pelo lado também de que o público emburreceu bastante, ficou fácil para empresários/produtores picaretas faturarem encima desta galera aonde o discernimento passa longe, muito longe. Não sou ranzinza nem conservador já que acompanho pessoas de extremo talento hoje em dia que não estão mais na televisão, nem no rádio nem ganhando Grammys. Saudades de quando tínhamos uma parada musical cheia de talentos e dum público cheio de vida que sentia de verdade o poder da música em suas vidas. Aguardem cenas do próximo capítulo.....

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Banco Del Mutuo Soccorso e o progressivo italiano

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Voltando a postar algo aqui após um tempo. Com minhas atividades na Santos Life, meus textos acerca de música estão concentrados na revista não tendo tempo de mexer aqui. Mas algumas coisas ainda irão aparecer por aqui caso não resolvam tirar meu blog do ar. A verdade é que me veio uma mensagem dizendo que a partir de abril todo e qualquer meio de postagem pelo Goggle será desativado e já pergunto para alguém outro meio de montar meu blog sem ser nesta parte virtual. Mas enquanto isso não ocorre, falemos desta banda que aportou aqui e foi trilha sonora em dois dias de audição. Foi me apresentado como sendo uma banda de progressivo italiana e confesso aos senhores e senhoras que me acompanham que a pulga estava bem atrás de minha orelha direita quando recebi esta mídia com 8 discos dos caras. Mas não podemos sofrer ou mesmo tecer algum comentário ultrajante de forma antecipada e fui para casa com esta mídia afim de pesquisar acerca de mais uma banda legal ( ou não) que pintou aqui em casa. A música italiana é meio brega por sua natureza mas ninguém aqui disse que ser brega é ser ruim, disse? Odair José é considerado brega e nem por isso é ruim. É melhor que muita porcaria atual!!!!! O progressivo italiano possui este nível de breguice da música natal mas com o requinte de elementos de Emerson, Lake and Palmer, Yes, Genesis em seu som. O Banco Del Mutuo Soccorso possui a aura brega da música italiana mas encara tal tarefa com uma musicalidade progressiva sensacional. Franceso Di Giacomo é o vocalista e responsável pela aura brega já que seu vocal, além de cantado na língua natal dos caras, possui um que de Andrea Bocelli. Soar como o tenor citado não é uma referência lá muito positiva mas Franceso lembra bastante. Mas o instrumental feito pelo guitarrista Rudolfo Maltese, pelo baixista Tiziano Ricci, pelo baterista Maurisio Masi e pelo tecladista Vittorio Nocenzi compensa cada momento aqui com uma musicalidade impecável em discos tão diferentes entre si que o termo progressivo pode misturar com o pop, clássico, música tradicional, jazz e por onde mais eles quiserem ir.
Discos como Darwin! ( 72 ), Io sono nato libero ( 73 ) ou Banco ( 75 ) devem ser apreciados imediatamente caso queira ouvir algo fora do eixo tradicional e ou piegas. Lógico que ainda gosto das bandas que sempre gostei e nem é minha intenção de pagar de descolado só para dizer que conheço de som. Aprendi e ainda aprendo bastante, sempre descobrindo algo bacana do qual nunca tive acesso. O mundo da música é uma eterno aprendizado aonde a descoberta se torna presente para quem não quer se acomodar. E esta banda foi mais uma ótima situação maravilhosa de quebrar o paradigma e abranger os horizontes.